Se os cursos de economia, jornalistas econômicos e todos nós, falássemos e aprendessemos mais sobre deseconomia, talvez pudessemos desalojar a economia de seu auto-outorgado trono de realeza e recolocá-la no lugar de “subsistema da finita biosfera que a suporta”.
Não é difícil entender que se a expansão da economia ultrapassa os limites do ecossistema que a rodeia, o crescimento começa a produzir mais “males” do que bens, ou seja, torna-se deseconômico.
Podemos contastar no dia a dia: o modo dominante de ‘viver’ produz mais doentes, com sorrisos hipócritas, do que pessoas saudáveis, de sorrisos sinceros. Bom, isso nas minhas medidas.
O texto “A ciência económica num mundo repleto“, publicado na resistir, dá uma boa introdução ao tema. Veja só esse trecho:
“Na microeconomia, as pessoas e as empresas percebem claramente quando devem cessar a expansão de uma atividade. Quando se expande, atinge um ponto em que ocupa o lugar de outros empreendimentos, e essa substituição é contabilizada como custo.
As pessoas param no ponto em que o custo marginal é igualado pelo benefício marginal. Ou seja, não vale a pena gastar um dólar a mais num gelado quando esse dá menos satisfação do que o equivalente a um dólar de outra coisa. A macroeconomia, porém, não dispõe de uma regra análoga que avise “a hora de parar”.
Como a manutenção de uma economia sustentável repousa numa enorme mudança racional e emocional por parte de técnicos, políticos e eleitores, poderíamos ser tentados a afirmar que tal projeto é impossível.
Mas a alternativa a uma economia sustentável – manter o crescimento permanente – é biofisicamente impossível. Ao escolher entre enfrentar uma impossibilidade política e uma impossibilidade biofísica, eu escolheria a primeira opção.”
Somos dois.
Interessantíssimo!
Muito bom saber da existência desse texto!
Vou procurá-lo!
Até mais.