qual democracia?

Nestes tempos bicudos, vale perguntar se existe país no mundo praticando uma real democracia. O que mais se vê são democracias de fachada defendidas por democratas de fachada, que usam os poderes outorgados pelos povos para imporem seus interesses grupais.

No Brasil, particularmente, temos de lado a lado e de cima a baixo no espectro político, verdadeiros cleptocratas – ativos e passivos. Mas como só reclamar nada adianta, aí vai uma visão sobre democracia na qual acredito e me comprometo a batalhar. São trechos do último capítulo do livro Sete Saberes, de Edgar Morin, no qual ele examina A Ética do Gênero Humano:

A democracia fundamenta-se no controle da máquina do poder pelos controlados e, desse modo, reduz a servidão. A democracia é mais do que um regime político; é a regeneração contínua de uma cadeia complexa e retroativa: os cidadãos produzem a democracia que produz cidadãos.

A experiência do totalitarismo enfatizou o caráter-chave da democracia: seu elo vital com a diversidade. O respeito à diversidade significa que a democracia não pode ser identificada com a ditadura da maioria sobre as minorias; deve comportar o direito das minorias e dos contestadores à existência e à expressão, e deve permitir a expressão das idéias heréticas e desviantes.

Do mesmo modo que é preciso proteger a diversidade das espécies para salvaguardar a biosfera, é preciso proteger a diversidade de idéias e opiniões, bem como a diversidade de fontes de informação e de meios de informação, para salvaguardar a vida democrática.

As democracias são frágeis, vivem conflitos, e estes podem fazê-la submergir. A democracia ainda não está generalizada em todo planeta, que tanto comporta ditaduras e resíduos de totalitarismo do século XX, quanto germes de novos totalitarismos. Continuará ameaçada no século XXI. Além disso, as democracias existentes não estão concluídas, mas incompletas ou inacabadas.

As empresas permanecem sistemas autoritários hierárquicos, parcialmente democratizados na base. É certo que há limites à democratização em organizações cuja eficácia é fundada na obediência, como no exército. Mas podemo-nos questionar se, como algumas empresas o descobrem, é possível adquirir outra eficácia por meio do apelo para a iniciativa e para a responsabilidade dos indivíduos ou grupos. De todo modo, nossas democracias comportam carências e lacunas.

Não existem apenas democracias inacabadas. Existem processos de regressão democrática que tendem a posicionar os indivíduos à margem das grandes decisões políticas (com pretexto de que estas são muito complicadas de serem tomadas e devem ser decididas por “expertos” tecnocratas), a atrofiar competências, a ameaçar a diversidade e a degradar o civismo.

Do mesmo modo, ocorre a despolitização da política, que se autodissolve na administração, na técnica (especialização), na economia, no pensamento quantificante (sondagens, estatísticas).

A política fragmentada perde a compreensão da vida, dos sofrimentos, dos desamparos, das solidões, das necessidades não quantificáveis. Tudo isso contribui para a gigantesca regressão democrática, com os cidadãos apartados dos problemas fundamentais das cidades.

Naturalmente, o processo é lento, sorte se for possível.

4 pensamentos sobre “qual democracia?

  1. estais a queixar-te da chamada democracia representativa. que está mesmo a ruir. e muito se deve ao processo representativo, mais do que ä democracia em si. existe um texto legal que li recentemente sobre isso. peraí que vou procurar e já, já volto aqui.

  2. Também sou um entusiasta da possibilidade da democracia eletrônica e direta, pero temos de exercitar a fala e a lidar com as frustrações – que prometem ser muitas – no modelo atual. Pra lá da inserção da tecnologia, o que importa é a mudança cultural, a atitude política. Coisa bem mais difícil e improvável do que segurança no voto.

  3. DITADURA DA BURGUESIA E DO IMPÉRIO DO CAPITAL COM DISFARCE DE “DEMOCRACIA”.
    A democracia como valor universal não existe e nem pode existir, pois temos que chegar em sua essência e ver a quem de fato beneficia. Para a aristocracia grega da antiguidade existia a mais ampla “democracia”, porém, para os escravos (que eram a absoluta maioria), a democracia era somente uma palavra vazia. Na realidade a verdadeira Democracia ainda é uma grande utopia, a Democracia não são apenas eleições mas também a possibilidade real da grande totalidade da absoluta maioria da população participar e decidir. Não existe modelo autêntico ou forma perfeita ou modelo exemplar de Democracia no mundo, pois cada povo busca construir a democracia de acordo com as suas próprias realidades sociais, politicas e econômicas, visando sempre assegurar sua soberania e independência nacional. É preciso pensar bem no que seja realmente e de fato uma verdadeira Democracia. Assim sendo a vontade de um povo tambem pode ser considerada como forma de Democracia quando acontece de dezenas de milhões de pessoas chegarem a conclusão de que não se pode continuar a viver assim e desta forma escolhem o caminho da Revolução Social e de Libertação Nacional. Os Estados Unidos da América que se julgam os campeões de “Democracia” por exemplo não passam de uma grande Ditadura da Burguesia e do Capital Monopolista; ditadura essa que não permite nenhuma ameaça ao seu domínio e que não pode ser contrariada e nem ter oposição pois o capital e os interesses da burguesia em primeiro lugar, e tem que ser defendida a qualquer custo. A dita “Democracia” nos Estados Unidos da América não passa de uma grande fraude um engodo, uma farsa, um faz-de-conta apenas para dizer e enganar de que trata da vontade da “maioria”. Toda ruidosa propaganda de “Democracia” nos Estados Unidos da América não é senão uma capa fina por traz do qual fica cada vez mais difícil de não esconder a Grande Ditadura Burguesa do Capital Monopolista. A liberdade de expressão e manifestação vai até o momento que não afete os interesses da burguesia e do capital. Os Imperialistas dos EUA que usam de estratégia as duas palavras consideradas chave “Liberdade e Democracia” que usadas politicamente não passam de fachada para justificar todos os seus atos de agressões e ambições Imperialistas e de dominação do mundo para dizerem que a causa que defendem, são por esses dois ideais. Existem nos Estados Unidos apenas dois partidos grandes que se revezam e se perpetuam no poder a anos e representam e defendem os interesses do grande capital, e deveria haver outros com ideias novas, diferentes e rejuvenescidas. O Partido Democrata e o Republicano que são dois partidos do Grande Capital Monopolista e um pelo outro é a mesma coisa e não acrescentam em nada, os dois simulam que fazem oposição um ao outro são farinha do mesmo saco é como trocar seis por meia dúzia, os dois contribuem sobremaneira para diminuir a influência de outros partidos e assim ajudam a manter o população prisioneira da Ideologia Burguesa. Os eleitores são enganados de forma eficaz ao pensarem que votando em um ou outro desses dois partidos haverá mudanças mas nada acontece e basta que se observe no que ocorre na politica dos Estados Unidos da América quando ficam criando pretextos para dominar o mundo através da força bruta, belicista, agressiva e terrorista. Os dois partidos que tem grande espaço nos meios de Comunicação Social e nas Agências de Publicidade e é exatamente essas que se encontram sob o domínio da classe dominante, que embora menor, é toda poderosa. É bem verdade que nos EUA existem outros partidos mas que não tem a mínima chance de concorrer com esses dois, isso porque a Legislação dos EUA dificulta no máximo a participação de outros partidos nas eleições inventando inúmeros subterfúgios e obstáculos jurídicos entre eles por exemplo, a necessidade de recolherem muito milhares de assinaturas num prazo curto realizada em presença de testemunhas e registradas notoriamente a obtenção de Licenças para os coletores de Assinaturas,etc. E mesmo se os outros partidos conseguirem vencer todas as barreiras, as comissões eleitorais privam-nos frequentemente da possibilidade de participarem nas eleições sob o pretexto de as “assinaturas serem ilegíveis” ou outro qualquer pretexto inventado. O povo de cada país tem direito de lutar pela sua Libertação Social e Nacional a escolherem o melhor caminho. Alguns países que tentam tornar-se livres, soberanos e independentes e que buscam seguir o caminho da construção do desenvolvimento democrático conforme a sua realidade politica e social. O governo que não quizer ficar submisso aos interesses dos estadunidenses, esse governo é rotulado e taxado de Ditadura. Os estadunidenses tentam de todas as formas se passarem por Paladinos da “Liberdade e Democracia” e até usam isso como principio para se dizerem “defensores” desses ideais invadindo países que não queiram ficar de “joelhos” e sob seu controle e dominio absoluto. Os Imperialistas dos EUA que invadem países para fortalecer sua economia e aumentar sua influência no mundo com o objetivo de tomar posse e saquear as riquezas naturais. Os Imperialistas dos EUA que usam de maneira estratégica as duas palavras consideradas chave “Liberdade e Democracia” mas se algum povo realmente desejar ser livre, independente e soberano; e optar em construir o seu desenvolvimento adptando a sua realidade politica e social e que com isso venha contrariar os interesses do Império dos Estados Unidos da América, a tão propalada “liberdade e Democracia” que os Imperialistas tanto afirmam defender deixa logo de existir, e vem perseguições, golpes, torturas, massacres, repressões e guerra.

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