a paz pela economia

yunusPessoal que trabalha e acredita em Economia Solidária tem uma questão interessante sobre a escolha do economista e banqueiro Mohamed Yunus como ganhador do Prêmio Nobel da Paz.

E a pergunta vem com um sorriso maroto: se o campo em que Yunus inovou foi o da economia, porque não recebeu o prêmio nesta categoria?

A resposta é tão óbvia que só merece mesmo risos como resposta. O que ele fez precisa ser vendido e incutido no grande público mais como caridade e voluntarismo (o que não deixa de ser verdade) do que como outra – e possível – abordagem para os negócios bancários. Isso colocaria os demais bancos quase na obrigação de seguir o mesmo caminho. Seria exigir demais desse mundo frio de quem só maneja dinheiro.

Segue abaixo um trecho de mensagem de Vicente Aguiar, da Cooperativa de Tecnologias Livres , que levantou a lebre]

Na verdade, Mohamed Yunus , além de “banqueiro” e economista, é um
humanista defensor da liberdade e emancipação humana por meio das
Finanças Solidárias.

Com a recusa dos bancos em emprestar dinheiro para essas pessoas, sob o argumento de que faltavam garantias de pagamento, Yunus fundou um banco em 1976, primeiramente na aldeia de Jobra na Índia, tendo como base um sistema de crédito popular libertador que viria a ser, mais tarde, o Grameen Bank – que se pode aproximadamente traduzir por “Banco da Aldeia”.

Este sistema fundamenta-se em dois princípios: em primeiro lugar, substitui-se a desconfiança bancária típica (avalistas, contratos com letras pequenas, fiadores, garantias…) por confiança pura e simples. Em segundo lugar, ao fato de que a pressão social de um grupo de co-avalistas é mais eficaz que qualquer formalidade jurídica.

A reação das autoridades bengalesas ao sistema de Yunus (quando ele tornou‑se visível) foi radical: “Não se pode emprestar dinheiro para pobres”, disseram os burocratas. Vencendo toda pressão do sistema de crédito proprietário, Yunus insistiu apresentando os fatos: a taxa de inadimplência do sistema (2%) do Banco da Aldeia era mais baixa do que a de qualquer outro banco em Bangladesh.

Desta forma, o Banco foi formalizado e passou a ter em dezembro de 2001 cerca de 13 mil funcionários em 1.175 agências e atuava em 40 mil aldeias. Até o final de 2001, concedeu mais de U$ 3,5 bilhões de empréstimos, financiou a aquisição de 546 mil casas próprias e naquele ano contava 2,4 milhões de clientes (94,8% mulheres).

– Mais informações no livro O Banqueiro do Pobres.

2 pensamentos sobre “a paz pela economia

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