o pai das histórias

Lá no meio do livro Se um Viajante…, Italo Calvino introduz o “Pai das Histórias”, um índio de idade imemorial, que se supõe residir numa cidade perdida da América do Sul, encarapitada na Cordilheira dos Andes ou nas florestas do Orinoco. Cego e analfabeto, ele narra ininterruptamente histórias que ocorrem em terras e épocas que nunca conheceu.

crocodiloO fenômeno atraiu ao local expedições de antropólogos e parapsicólogos: apurou-se que muitos dos romances publicados por autores famosos haviam sido narrados, palavra por palavra, pela voz catarrosa do “Pai das Histórias”, vários anos antes de terem sido publicadas.

Segundo alguns, o velho índio seria a fonte universal da matéria narrativa, o magma primordial de que se originam as manifestações individuais de cada escritor; segundo outros, o velho seria um vidente que, sob o efeito de cogumelos alucinógenos, consegue comunicar-se com o mundo interior dos mais fortes temperamentos visionários e captar-lhes as ondas psíquicas.

Se um dia eu quiser inverter a pesquisa sobre Narrativas de Origem para Origem das Narrativas, já sei onde procurar.

Um pensamento sobre “o pai das histórias

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