muito pros olhos, pouco pra barriga

A frase acima está simplificada para caber no título. Completa, ela é de Josué de Castro, em seu conto Ciclo do Caranguejo (1935): a saga da família Silva que, perseguida pela fome, foge do árido sertão pernambucano para tentar a sorte na capital (segundo boatos, lá o governo bom cuidava dos pobres e todos podiam comer até se saciar).

Logo de chegada a família viu que a coisa era outra. Não havia dúvida que a cidade era bonita, com tanto palácio e a rua fervilhando de automóvel. Mas a vida do operário, apertado como sempre. Muita coisa para os olhos, pouca coisa para a barriga.

Josué de Castro, médico brasileiro, cidadão do mundo, foi indicado duas vezes ao Prêmio Nobel pela coragem e pioneirismo de suas pesquisas sobre a fome e a miséria. Mesmo como embaixador do Brasil na ONU e gozando de enorme prestígio internacional, teve seus direitos políticos cassados em 1964, nos primeiros tempos da Ditadura Militar. Josué era perigoso para os poderosos “amigos” dos militares. Morreu no exílio quase dez anos depois. Se estivesse vivo, completaria 100 anos ontem, 5 de setembro.

Um pensamento sobre “muito pros olhos, pouco pra barriga

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