ditabranda

Registro aqui o termo porque o radar de neologismos apontou um incrível aumento no número de menções – quase 75.000 no google – nesta última semana, após um infeliz editorial da Folha de São Paulo. Veja trecho abaixo:

ditabranda fsp

Lembrando que ditabranda nem é invenção da Folha. Já foi usado com mais propriedade e ironia para designar a primeira fase do regime militar brasileiro, antes do AI-5, entre 1964/1968.

A Folha usa em outro sentido, com outro propósito. Fora a indignação já expressa por vários intelectuais, fica a constatação:  quem comanda ditaduras são ditadores, quem comanda ditabrandas são amigos.

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teia de dados

A BusinessWeek publicou, pouco tempo atrás, uma curta entrevista com Tim Berners-Lee, diretor do W3C (World Wide Web Consortium), que responde pela padronização técnica da internet. Com a entrevista uma série de slides exemplos de aplicações de web semântica na ciência e nos negócios (visão mais panoramica que profunda), e um guia prático para quem quer investir ou se aventurar na área. Perguntado se o nome web semântica não fora um equívoco que complicou ainda mais algo que já não era simples, Berners-Lee respondeu:

“I don’t think it’s a very good name but we’re stuck with it now. The word semantics is used by different groups to mean different things. But now people understand that the Semantic Web is the Data Web. I think we could have called it the Data Web“.

o rótulo riqueza

deformameNo embalo do post anterior, passei a pesquisar a polissemia – variação de significados – da palavra riqueza. É fácil fazer isso, embora um tanto quanto insano, a partir dos sites de pesquisa na internet. Digite riqueza, lixo ou drogas, e pire com a profusão de usos de qualquer palavra dessas.

Mas a busca tem lá suas justificativas e objetivos. A idéia de ser rico, afinal, molda o desejo e a razão de viver de muitas pessoas, ao mesmo tempo em que desperta asco e preconceito em outras. Por que?

Do sinal ao significado

Num plano bem genérico, riqueza é um conjunto de valores, porém, nos principais dicionários e na wikipedia (valha-me!), o foco é dado ao acúmulo de dinheiro e de bens materiais: riqueza é definida como concentração de posses.

Fora dos almanaques, digo, na vida real, é bem fácil negar essa versão pela simples constatação de que uma pessoa pode ter uma infinidade de propriedades, uma fortuna incalculável, e mesmo assim ser um tremendo vazio, ter uma expressividade humana nula, prejudicada, enfim, ser muito muito pobre de alma.

Em outras palavras, possuir bens é sinal de riqueza, mas isso não significa automaticamente que a pessoa seja rica. Assim penso eu, claro, a despeito de dicionários e wikipedias da vida e, também, de grande parte do imaginário social. Tô nem aí.

Bom, voltando à busca, ela começa prometendo diversão a valer, pois já parte de um paradoxo, quase um choque: no topo da lista de nosso confiável Google quando se digita riqueza surge o último lugar em que poderíamos encontrá-la. Veja só:

Riqueza.com.br irá te fornecer todas as ferramentas para você extrair com inteligência cada gota de lucro de seu site. Se você recebe visitantes em seu site, você tem o direito de lucrar com isso. Mais do que um direito, é seu dever!

Écat. Coisa mais repugnante. Nem uma contrapropaganda ilustraria melhor a idéia aqui perseguida: de que nem todo lucro se transforma em riqueza. No próximos posts sobre o tema, prometo escolher exemplos melhores, mais saudáveis, ricos. 😉

wordpress: posts relacionados

Mais uma novidade interessante para blogueiros wordpress: no painel de controle você pode ver posts de outros blogs que se relacionam ao que é publicado no seu. A proposta é ótima mas a resposta ainda é fraca: dos vinte posts listados, apenas dois eram de meu gosto e interesse:

– Smooth, Santana & Rob Thomas

É verão no norte! (e ao sul também). Bóra dançar.

santana.png

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e, depois do puroprazer, o prazer de ler coisas úteis para o trabalho:

– Web Standards vs Tableless

Duas bolas dentro em vinte tentativas:
10% de acerto. Tá bom prá começar.

das tags à web semântica

Mais um livro de trabalho entrando na fila de espera, enquanto viajo na história, na ficção e na linguagem com Mia Couto em O outro pé da sereia:

“A viagem não começa quando se percorrem as distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores.”

..^..

ailton feitosaPrometido para chegar às livrarias este mês, o livro de Ailton Feitosa trata do desafio de organizar a informação na web. Até aí, é mais um título na prateleira. Me interessa é ver como ele encaminha a proposta do subtítulo das tags à web semântica, pois é onde reside um dos maiores nós dessa empreitada.

Tags, para quem não sabe, são palavras com as quais a gente categoriza posts, documentos, sites, sem grandes preocupações hierárquicas.

São uma forma popular de semi-estruturar as informações, mas são muito abertas, polissêmicas, para responder aos atuais propósitos da web semântica.

marcas

capacult100A revista Cult chega à centésima edição e isso me faz lembrar as coisas boas que conheci em suas páginas. Entre elas, um poeta e uma palavra de virar a cabeça.

Neste número comemorativo, antes de chegar ao dossiê Barthes, chamou minha atenção o texto Conhecimento, expressões artísticas e estratégias de vida, de Augusto Rodrigues, responsável pelo Espaço Cultural CPFL. Veja o que ele levanta:

” Um país sem cultura é um país sem identidade, sem personalidade, sem alma até, se considerarmos que viver é – interagindo com o mundo – deixar nele nossa marca.

E a cultura de um povo vai muito além dos diversos tipos de expressão da arte: inclui também a antropologia, a psicologia, a sociologia, a filosofia, a tecnologia. Mas, na sociedade contemporânea, quando os padrões de comportamento não estão mais previamente disponíveis, porém devem todos ser inventados por indivíduos perplexos, esse caleidoscópio necessita de uma organização que ajude as pessoas a entender melhor a complexidade do mundo atual e a criar suas novas identidades. Por essa razão, faz-se necessário colocar uma certa ordem no caos das idéias, que por virem de múltiplas e variadas fontes apresentam aos sujeitos muita dificuldade de entendimento e de sistematização. “

Corresponde ao que chamo lá em cima de transdisciplinar a dispersão. 😉

Meio-problema: até onde se sabe, sujeitos perplexos são incapazes de planejar e criar estratégias, de refletir ou elaborar qualquer pensamento lógico. Por definição, perplexidade é o estado de suspensão (próximo ao transe), no qual não sabemos o que pensar, como agir. Auge da surpresa.

Meia-solução: o caráter ambivalente da perplexidade, não registrado nos dicionários. Se num tempo ela paralisa, em outro (mais raro) ela inquieta e mobiliza. Quem procurar, irá encontrar marcas de perplexidade nos quatro pilares do conhecimento humano. Levantando questões nas filosofias e nas artes, tentando respondê-las nas religiões e nas ciências.

Conversa longa. Voltaremos a ela depois. Por ora, vale comemorar os cem números de uma revista de qualidade. Bela marca.