oficineiros e articuladores

Atenção ao edital da prefeitura de São Paulo
(catada na Radio Escuta do Estudio Livre):

A Secretaria Municipal da Cultura, FAZ SABER que, durante o período de 25 de julho a 10 de setembro de 2007, das 11:00 às 17:00 horas, na sede do Centro Cultural da Juventude, localizado à Av. Deputado Emilio Carlos, 3641, estarão abertas inscrições para a seleção de interessados em prestar serviços como OFICINEIROS e ARTICULADORES CULTURAIS para o programa Cultura Digital.

As oficinas deverão possuir o caráter de iniciação e de desenvolvimento de software-livre e de redes culturais como ferramentas de produção artística e de replicação do conhecimento. Visa também facultar aos participantes a possibilidade de desenvolverem suas aptidões e sua percepção nos âmbitos do pensar e do fazer artístico-cultural-tecnológico.

Para baixar o edital: clique aqui (arquivo em PDF)
Caso tenha problemas para baixar o arquivo escreva para ccjredessociais@prefeitura.sp.gov.br

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estirpe

Os mendigos maiores não dizem mais, nem fazem nada. Sabem que é inútil e exaustivo. Deixam-se estar. Deixam-se estar. Deixam-se estar ao sol e à chuva, com o mesmo ar de completa coragem, longe do corpo que fica em qualquer lugar.

Entretêm-se a estender a vida pelo pensamento. Se alguém falar, sua voz foge como um pássaro que cai. E é de tal modo imprevista, desnecessária e surpreendente que, para a ouvirem bem, talvez gemessem algum ai.

Oh! não gemiam, não… Os mendigos maiores são todos estóicos. Puseram sua miséria junto aos jardins do mundo feliz mas não querem que, do outro lado, tenham notícia da estranha sorte que anda por eles como um rio num país.

Os mendigos maiores vivem fora da vida: fizeram-se excluídos. Abriram sonos e silencios e espaços nus, em redor de si. Tem seu reino vazio, de altas estrelas que não cobiçam. Seu olhar não olha mais, e sua boca não chama nem ri. E seu corpo não sofre nem goza. E sua mão não toma nem pede. E seu coração é uma coisa que, se existiu, já esqueceu.

Ah! os mendigos são um povo que se vai convertendo em pedra. Esse povo é que é o meu.

[ Cecília Meirelles ]