intérpretes, explicadores

Na linha das novas profissões que surgem pelo mundo, achei bem interessante a proposta da National Association for Interpretation, que valoriza o patrimônio natural e cultural das comunidades locais através do estímulo à busca de lugares e histórias que no mais das vezes permanecem escondidos, desconhecidos delas mesmas. E o melhor é a produção de informação adaptável aos interesses dos mais diversos públicos.

narradores de javeEm sua Conferência anual, em março próximo, a NAI debaterá a difusão dessas técnicas visando o desenvolvimento de um turismo histórico sustentável, que estimule e beneficie as economias locais.

Não sei porque, mas lembrei do delicioso filme Narradores de Javé.

mal traçadas linhas

wsalles“A alta burguesia é caricata.”

Walter Salles, cineasta, que reconhece ser originário dessa classe social, mas ressalta ter começado vários roteiros de filmes sobre ela e acabou não levando adiante por julgar que careciam de nível de complexidade necessária para ultrapassar o patamar da caricatura. (Folha de SP)

anedota espanhola

dostoievski“Coisa de dois séculos e meio passados dizia-se em Espanha, quando os Franceses construíram o primeiro manicômio: «Fecharam num lugar à parte todos os seus doidos para nos fazerem acreditar que têm juízo».

Os Espanhóis têm razão: quando fechamos os outros num manicômio, pretendemos demonstrar que estamos em nosso perfeito juízo. «X endoideceu…; portanto nós temos o nosso juízo no seu lugar».

Não; há tempos já que a conclusão não é lícita.”

Fiodor Dostoievski, in “Diário de um Escritor” (1877)

a melodia do sol

som do solDesde sempre aprendemos que o Sol é fonte de luz e calor e que sem ele não existiríamos.

Agora também se fala dos sons que ele produz, não só por suas constantes explosões, mas também e principalmente, por um certo tipo de pulsar, assim como batidas num enorme tambor de 1,4 milhão de quilometros quadrados de diâmetro.

Um tambor que bate por dentro, como nossos corações. Se bem que na explicação detalhada dos astrofísicos que estudam o fenômeno, as notas percebidas pelos instrumentos se assemelham mais as de um xilofone.

De qualquer forma, caso a informação se espalhe rapidamente, nas praias mais badaladas deste verão vai ter um bocado de maluco não só tostando como também dançando ao batuque do sol. E ainda vão lhe perguntar: “como, você não está ouvindo?”

exoplanetas telúricos

corotQue título, hem. Quase um trava-língua. Mas é assim que se chamam os planetas fora de nosso sistema solar em condições de abrigar vida semelhante a da Terra. E é atrás de planetas desse tipo que partirá do cosmódromo de Baïkonour, Cazasquistão, daqui uns dias, a primeira caravela estelar, batizada de CoRoT.

CoRoT é um satélite apelidado de caravela por carregar, mais do que sofisticados instrumentos, a expectativa de descobertas celestiais extraordinárias, comparáveis, na devida proporção, às da época das grandes navegações oceânicas, 500 anos atrás.

O satélite permitirá estudar a sismologia estelar (estrutura e evolução das estrelas) medindo variações na intensidade das luzes e vibrações emitidas pelas estrelas com precisão jamais alcançada. Aliada a longos períodos de medidas em cada região do céu, levará à detecção, pela primeira vez na história da humanidade, de planetas muito distantes. Estima-se que “CoRoT” descobrirá cerca de mil planetas gigantes do tipo de Júpiter e uma centena semelhantes à Terra.

Participação brasileira na missão “CoRoT”

O Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP coordena a participação brasileira na missão espacial “CoRoT”. Vários de seus docentes estão envolvidos em projetos observacionais com o satélite. É a primeira vez que os astrônomos brasileiros participam da construção de um satélite científico tendo os mesmos direitos que seus parceiros europeus na exploração dos dados colhidos.

corot

virando gente

Dizem os historiadores que quanto mais avançamos no futuro mais nos aproximamos do passado, e não se trata de nenhuma lei do eterno retorno ou coisa parecida. Ocorre que quanto mais a arqueologia e a paleoantropologia aprimoram técnicas e instrumentos de suas pesquisas, melhor decifram as pistas sobre de onde viemos e como nos tornamos o que somos: esses esquisitos e imponderáveis seres humanos.

Becoming Human é um dos mais interessantes documentários interativos que já vi, indicado para quem quer se atualizar no paciente estudo de nossas origens. Não é uma historinha ao estilo Alegoria da Criação cuja função é apaziguar consciências, mas sim de situar as descobertas no longo e tumultuado trajeto/processo que nos trouxe até aqui.

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Agora, duro mesmo neste cenário é escolher por qual montanha começar a escavar.