ditabranda

Registro aqui o termo porque o radar de neologismos apontou um incrível aumento no número de menções – quase 75.000 no google – nesta última semana, após um infeliz editorial da Folha de São Paulo. Veja trecho abaixo:

ditabranda fsp

Lembrando que ditabranda nem é invenção da Folha. Já foi usado com mais propriedade e ironia para designar a primeira fase do regime militar brasileiro, antes do AI-5, entre 1964/1968.

A Folha usa em outro sentido, com outro propósito. Fora a indignação já expressa por vários intelectuais, fica a constatação:  quem comanda ditaduras são ditadores, quem comanda ditabrandas são amigos.

sustain ability

Uma coisa que admiro na língua inglesa é a flexibilidade para produzir novas palavras e expressões. Não sei se é mais uma característica da língua ou dos povos que a utilizam, mas sei que é muito útil para acompanhar ou provocar as transformações sociais que o planeta precisa para sobreviver.

não me achei

Eu sabia que a coisa ia longe na Classificação de Lineu para os seres vivos (taxonomia), mas Catarrinos, faça o favor, é demais. Será que ainda podemos sugerir alterações? Veja, na tabela abaixo, aonde nos situaram:

REINO: Animal
FILUM: Cordados
– – CLASE: Mamíferos
– – – ORDEN: Primates
– – – – SUBORDEN: Anthropoidea
– – – – – INFRAORDER: Catarrinos
– – – – – – SUPERFAMILIA: Hominoidea
– – – – – – – FAMILIA: Hominidae
– – – – – – – – GÉNERO: Homo
– – – – – – – – – ESPECIE: sapiens
– – – – – – – – – – SUBESPECIE: sapiens

Essa classificação lembra o que diz Edgar Morin, no prólogo do livro Amor, Poesia, Sabedoria:

“A idéia que se possa definir homo, dando-lhe a qualidade de sapiens, isto é, de um ser razoável e sábio, é uma idéia pouco razoável e pouco sábia. Homo é também demens : manifesta uma afectividade extrema, convulsiva, com paixões, cóleras, gritos, mudanças brutais de humor; traz em si uma fonte permanente de delírio; crê na virtude de sacrifícios sangrentos; dá corpo, existência, poder a mitos e deuses da sua imaginação. Há no ser humano um salão permanente de Ubris, a desmesura dos Gregos.

A loucura humana é fonte de ódio, crueldade, barbárie, cegueira. Mas sem as desordens da afectividade e as irrupções do imaginário, sem a loucura do impossível, não existiria entusiasmo, criação, invenção, amor, poesia.Do mesmo modo, o ser humano é um animal não só insuficiente em razão mas também dotado de sem-razão.

Todavia, temos necessidade de controlar homo demens para exercer um pensamento racional, argumentado, crítico, complexo. Temos necessidade de inibir, em nós, o que demens tem de mortífero, mesquinho, imbecil. Temos necessidade de sabedoria, que nos pede prudência, temperança, cortesia, desprendimento.”