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ditabranda

Registro aqui esse termo porque meu radar de neologismos apontou um incrível aumento no número de menções – quase 75.000 no google – nesta última semana, após um infeliz editorial da Folha de São Paulo. Veja o trecho abaixo:

ditabranda fsp

Lembrando que ditabranda nem é invenção da Folha. O termo já foi usado em outras praças para designar a primeira fase do regime militar brasileiro, entre 1964/1968, antes do AI-5.

A Folha usa em outro sentido, com outro propósito. Fora a indignação já expressa por respeitáveis intelectuais, se fizermos um esforço para esquecer a história, as vítimas e as atrocidades do regime militar, ficando apenas na comparação sugerida, chegamos a uma inacreditável inversão de valores.

Para a Folha, quem chega ao poder detonando as instituições logo de cara é menos ruim do que quem chega ao poder via instituições vigentes. Lembra golpismo. Outra leitura sugerida é a seguinte: quem comanda ditaduras são ditadores, quem comanda ditabrandas são amigos. Não?

sustain ability

Uma coisa que admiro na língua inglesa é a flexibilidade para produzir novas palavras e expressões. Não sei se é mais uma característica da língua ou dos povos que a utilizam, mas sei que é muito útil para acompanhar ou provocar as transformações sociais que o planeta precisa para sobreviver.

valor virtual

Globalmente, as empresas já sofreram uma perda de valor de mercado de US$ 30 trilhões em um ano por causa da dramática crise atual, segundo o diretor do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab. Ele acrescenta que a perda é 30 vezes maior do que os planos para socorrê-las.

Fantástico mesmo é falar desse dinheiro como se ele realmente tivesse existido.  Hora de rever conceitos de metaeconomia.

o mito revisitado

O mito da imparcialidade jornalística na visão de Robert Fisk, prestigiado colunista do The Independent:

“Jornalistas devem estar ao lado dos que mais sofrem. Se nos mandassem cobrir o tráfico de escravos no século 18, não deveríamos dar o mesmo tratamento às opiniões do escravo e às do capitão do navio mercador de escravos. Se nos mandassem cobrir a libertação, num campo de concentração nazista, não deveríamos dar o mesmo tratamento às vítimas e ao porta-voz da SS”.

Poderosos em geral já dispõem de marqueteiros, publicitários, relações públicas, boateiros e todo tipo de contorcionistas da realidade.

logista

s. m.

|| entre os antigos gregos, magistrados cujas funções se
pareciam à dos nossos membros do Tribunal de Contas.

|| (P. ext.) Calculador.

F. gr. Logistes.

fonte:

http://www.aulete.portaldapalavra.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&op=loadVerbete&pesquisa=1&palavra=logista

lógico

Duas freiras saíram do convento para vender biscoitos.
Uma é Irmã Maria e a outra é a Irmã Léia.

Irmã Maria – Está ficando escuro e nós ainda estamos longe do convento!!!

Irmã Léia – Você reparou que um homem está nos seguindo a mais de meia hora?

Irmã Maria – Sim, o que será que ele quer?

Irmã Léia – É lógico! Ele quer nos estuprar.

Irmã Maria – Oh, não! Se continuarmos neste ritmo ele vai nos alcançar no máximo em 15 minutos. O que vamos fazer?

Irmã Léia – A única coisa Lógica a fazer é andarmos mais rápido!!!

Irmã Maria – Não está funcionando.

Irmã Léia – Claro que não! Ele fez a única coisa lógica a fazer, ele também começou andar mais rápido.

Irmã Maria – E agora, o que devemos fazer? Ele nos alcançará em 1 minuto!

Irmã Léia – A única coisa lógica que nos resta fazer, é nos separar! Você vai para aquele lado e eu vou pelo outro. Ele não poderá seguir-nos as duas, ao mesmo tempo.

Então, o homem decidiu seguir Irmã Léia. A Irmã Maria chegou ao convento, preocupada com o que poderia ter acontecido à Irmã Léia. Passado um tempo, eis que chega Irmã Léia.

Irmã Maria – Irmã Léia!!! Graças a Deus você chegou! Me conte o que aconteceu!!!

Irmã Léia – Aconteceu o lógico. O homem não podia seguir-nos as duas, então ele optou por me seguir.

Irmã Maria – Então, o que aconteceu?

Irmã Léia – O lógico, eu comecei a correr o mais rápido que podia e ele correu o mais rápido que ele podia, também…

Irmã Maria – E então?….

Irmã Léia – Novamente aconteceu o lógico: ele me alcançou.

Irmã Maria – Oh, meu Deus! O que você fez?

Irmã Léia – Eu fiz o lógico: levantei meu hábito.

Irmã Maria – Oh, Irmã Léia!!!! E o que o homem fez?

Irmã Léia – Ele, também, fez o lógico: abaixou as calças.

Irmã Maria – Oh, não!!!!! O que aconteceu depois?

Irmã Léia – Não é óbvio, Irmã Maria??? Uma freira com o hábito levantado consegue correr muito mais rápido do que um homem com as calças abaixadas!!!!

Fonte: humorsex

em 2009 não tremas

reforma ortográfica é pouco,
criar linguagens que é louco.

apreender

A vergonha nos Tribunais de Contas

Enquanto o país tenta se arrumar, organizações do terceiro setor começam a fiscalizar o uso do dinheiro público, o Ministério Público faz um trabalho investigativo sério contra corruptos, a Polícia Federal faz avanços importantes contra o crime organizado, nos Tribunais de Contas do país o caminho é o inverso. Conselheiros são indicados politicamente por aqueles que serão fiscalizados.

Não importa o trabalho feito por auditores profissionais do quadro de funcionários daqueles órgãos, o julgamento de processos não precisa levar em conta nada do que foi levantado pelos auditores. O voto é livre.

Da forma como são organizados hoje, os Tribunais de Contas são um desperdício de dinheiro público, não agregam valor para a sociedade. As leis que regem esses órgãos precisam de uma urgente revisão, pois essa criação é uma daquelas que se prestam a sinecuras, cabides de emprego, criados na república velha. Alguns ocupantes do cargo de Conselheiros fazem parte de quadrilhas, participam de lavagem de dinheiro, vendem julgamentos, e desviam dinheiro público como ninguém. O cargo é vitalício, e alguns o tornam vitalício e hereditário, de pai para filho, como querem fazer no Estado de Mato Grosso. Alguma semelhança com capitanias hereditárias?

Agora vem outro acinte, que é a indicação para o TCU pelo PMDB do Senador Leomar Quintanilha, que é investigado pela Polícia Federal por desvio de recursos, e que recentemente patrocinou um espetáculo vergonhoso no Comitê de Ética do Senado para salvar colegas cujos mandatos haviam sido recomendados para cassação. Como pode esse cidadão ser guardião de recursos públicos? Que moral vai ele ter para julgar outras pessoas que desviaram recursos públicos?

É hora do Brasil acordar para essa imoralidade. Os Tribunais de Contas Estaduais são passadores de atestado de idoneidade a corruptos. A primeira coisa que os corruptos fazem em sua defesa é exibir as aprovações de contas pelos Tribunais de Contas.

É uma luta inglória, pois para mudar a Lei é preciso do Senado e da Câmara dos Deputados, onde a maioria tem interesse que as coisas continuem como estão, pois eles são beneficiários diretos ou indiretos dessa situação. Quase todos os deputados e senadores tem apadrinhados e partidários em cargos executivos para proteger, e nada melhor para proteger do que ganhar a possibilidade de indicar membros para os Tribunais de Contas. É impunidade garantida.

Mas não podemos desistir, temos que aproveitar a indicação de Leomar Quintanilha, um absurdo tão grande, que será capaz de chamar atenção da grande imprensa e da população para essa imoralidade que é o funcionamento desses órgãos. Temos que começar a pressionar os legisladores e trazer esse assunto para a ordem do dia.

Texto de Josmar Verillo (conselheiro da Amarribo).

Tem também esse texto de Josias de Souza, da Folha.

empreender

semana_global Num país em que a população sempre foi adestrada para desejar no máximo um bom emprego, toda ação que promova, fortaleça e encoraje a autogestão e as iniciativas pessoais (de preferência de cunho social) deve ser valorizada.

Então, aí vai uma dica: na próxima segunda-feira começa a Semana Global do Empreendedorismo, que promete acontecer simultaneamente em 60 países e só no Brasil mobilizar mais de 500 mil pessoas. O negócio é Botar pra fazer.

sorriso que bate nas olheiras

Por sobre os pantanais, os vales orvalhados,
As montanhas, os bosques, as nuvens, os mares,
Para além do ígneo sol e do éter que há nos ares,
Para além dos confins dos tetos estrelados,

Flutuas, meu espírito, ágil peregrino,
E, como um nadador que nas águas afunda,
Sulcas alegremente a imensidão profunda
Com um lascivo e fluido gozo masculino.

Vai mais, vai mais além do lodo repelente,
Vai te purificar onde o ar se faz mais fino,
E bebe, qual licor translúcido e divino,
O puro fogo que enche o espaço transparente.

Depois do tédio e dos desgostos e das penas
Que gravam com seu peso a vida dolorosa,
Feliz daquele a quem uma asa vigorosa
Pode lançar às várzeas claras e serenas;

Aquele que, ao pensar, qual pássaro veloz,
De manhã rumo aos céus liberto se distende,
Que paira sobre a vida e sem esforço entende
A linguagem da flor e das coisas sem voz!

“Elevação”, Charles Baudelaire.

A frase acima está simplificada para caber no título. Completa, ela é de Josué de Castro, em seu conto Ciclo do Caranguejo (1935): a saga da família Silva que, perseguida pela fome, foge do árido sertão pernambucano para tentar a sorte na capital (segundo boatos, lá o governo bom cuidava dos pobres e todos podiam comer até se saciar).

Logo de chegada a família viu que a coisa era outra. Não havia dúvida que a cidade era bonita, com tanto palácio e a rua fervilhando de automóvel. Mas a vida do operário, apertado como sempre. Muita coisa para os olhos, pouca coisa para a barriga.

Josué de Castro, médico brasileiro, cidadão do mundo, foi indicado duas vezes ao Prêmio Nobel pela coragem e pioneirismo de suas pesquisas sobre a fome e a miséria. Mesmo como embaixador do Brasil na ONU e gozando de enorme prestígio internacional, teve seus direitos políticos cassados em 1964, nos primeiros tempos da Ditadura Militar. Josué era perigoso para os poderosos “amigos” dos militares. Morreu no exílio quase dez anos depois. Se estivesse vivo, completaria 100 anos ontem, 5 de setembro.

o que é nanotecnologia

Para quem ainda não tem a dimensão das vantagens e, principalmente, dos problemas trazidos pela nanotecnologia, vale a pena dar uma olhada nos vídeos produzidos pela RenanosomaRede de Pesquisa em Nanotecnologia, Sociedade e Meio Ambiente. Este abaixo é o primeiro da série O Futuro é Agora:

Mais vídeos nas páginas da Renanosoma (nota-se fácil que este nome foi dado por cientistas, não por publicitários) no YouTube e no GoogleVideos.

ornitóptero

A palavra do dia é Ornitóptero e a definição vem do site Gambiarra: “máquina voadora com asas, que imita aves ou insetos – remete ao tempo de sucessivas experimentações e falhas até culminar com a invenção do avião por um conhecido gambiarreiro”.

DelFly MicroA diferença para os aviões comuns é que nestes a elevação é gerada através de uma asa fixa. Ornitópteros funcionam como pássaros: o motor provoca o batimento das asas e estas criam as condições para voar.

Tem ornitóptero de todo tamanho, até um robozinho de apenas 3 gramas, 10 cms de asas que carrega uma microcâmera. A libélula-espiã voa em DelFly.

funcionário robô

“Na Grã-Bretanha, a cerveja japonesa Asahi está usando um robô barman para promover a sua marca. Ele serve chope e abre garrafas de cerveja”, informa a BBC.

robo-barman

É de se esperar que os fabricantes de robôs, mais uns anos de pesquisa junto aos usuários, “humanizem” as máquinas fazendo, por exemplo, esse robô-barman estender os ouvidos aos clientes não só para receber e executar pedidos como também para acolher comentários, desabafos e até confidências, ao melhor estilo barman.

Enfim, o atrasado debate sobre robôs ocupando lugar de gente acontece nessa matéria da BBC. Eles querem saber:

“Na sua opinião, qual vai ser o impacto do uso de robôs em trabalhos normalmente realizados por pessoas? Você acha que essa é uma tendência que veio para ficar? Tecnologias deste tipo trazem mais benefícios ou problemas? É preciso controlar em que áreas e de que forma os robôs são usados ou a inovação é sempre bem-vinda?”

erga-se

Em 2000, líderes de 189 países concordaram com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, um plano global para diminuir pela metade a extrema pobreza até 2015. Mesmo assim, todo dia 50 mil pessoas morrem como resultado da extrema pobreza, e a distância entre ricos e pobres aumenta.

FAÇA SUA PARTE Pelos Objetivos do Milênio e Contra a Desigualdade, para fazer com que governos, empresas e toda a sociedade cumpram suas promessas e compartilhem a responsabilidade – isto somente acontecerá se todos assumirmos este compromisso.

O LEVANTE-SE E FAÇA SUA PARTE é uma iniciativa da Campanha do Milênio da Organização das Nações Unidas (United Nations Millennium Campaign) e da Chamada Global pela Ação contra a Pobreza (Global Call to Action against Poverty – GCAP).

Cidadão ajuda ao pedir prestação de conta

Monitorar políticas públicas e exigir que os governos prestem contas são ações importantes que a sociedade civil pode pôr em prática para ajudar a cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (uma a série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015). A avaliação é do administrador-adjunto do PNUD internacional, Ad Melkert. “Uma sociedade civil forte permite que as pessoas, inclusive as mais vulneráveis, influenciem políticas públicas de todos os níveis”, disse ele em pronunciamento oficial.

“A sociedade civil influencia governos a prestar contas moral e financeiramente. Críticas podem lembrar governantes de países em desenvolvimento ou desenvolvidos das suas promessas de reduzir pobreza e exclusão social”, exemplifica. “Muitas organizações da sociedade civil têm provado ampla capacidade de mobilização e têm criado demandas que mantêm líderes comprometidos”.

A sociedade civil, observa, pode se organizar em cooperativas, organizações não-governamentais, instituições acadêmicas e associações de mulheres, jovens ou populações tradicionais. O engajamento, porém, não se limita às organizações formais. “Inúmeras pessoas estão envolvidas em ações voluntárias que fazem grande diferença”, destaca.

“Sociedade civil pode doar seu tempo, talento, experiência ou entusiasmo para os Objetivos do Milênio. Voluntariado pode ser um canal eficiente para os indivíduos auxiliarem no desenvolvimento”, afirma. Como exemplo, ele cita o Programa de Voluntários das Nações Unidas, e afirma que a iniciativa tem cerca de 8 mil voluntários de 160 países que trabalham para auxiliar comunidades e promover iniciativas em áreas como educação, saúde e saneamento.

Além disso, a sociedade pode colaborar promovendo ou apoiando campanhas que divulguem os Objetivos do Milênio, sugere Melkert. “Em 17 de outubro do último ano, 43,7 milhões de pessoas em 127 países literalmente se levantaram contra pobreza e pelos Objetivos do Milênio, quebrando um recorde mundial”. O exemplo diz respeito ao movimento Levante-se e faça sua parte pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e contra a Desigualdade, que convidou os cidadãos a levantarem-se como forma de mostrar sua disposição de colaborar com as metas da ONU.

Fonte: PNUD

Os genes vão ficar em segundo plano na palestra de terça-feira (01/04) que dá seqüência à programação cultural paralela à exposição Revolução Genômica, em cartaz no Pavilhão Armando de Arruda Pereira (a antiga sede do Prodam), no Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo. Às 17h, Esper Abrão Cavalheiro, 58 anos, professor titular de neurologia experimental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), fala sobre o tema “Tecnologias convergentes e a construção do novo homem”.  A entrada para a palestra, que ocorre no auditório do pavilhão da mostra, é gratuita. Recomenda-se fazer reserva para a apresentação por meio do site www.revolucaogenomica.com.br (clique no item “Atividades Culturais” e escolha o evento desejado). A programação cultural da mostra (veja o cronograma de eventos) está a cargo da revista Pesquisa FAPESP.

As chamadas tecnologias convergentes, um conceito formalmente forjado neste século 21, formam uma vasta área de interação da pesquisa em nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação e ciência cognitiva com potencial para alterar profundamente os mais variados aspectos da vida do ser humano no futuro próximo. Da junção de conhecimentos dessas disciplinas científicas, pode surgir um cenário que, em alguns casos, beira a ficção cientítica. Setores totalmente distintos, como a defesa militar, a saúde e o próprio limite físico do homem, poderão sofrer alterações radicais com a ascensão das tecnologias convergentes.

Ex-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e atual assessor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Cavalheiro no momento se dedica a fomentar o debate na sociedade brasileira sobre o impacto potencial das tecnologias convergentes. O neurocientista não quer que o país se mantenha à margem das discussões sobre a nova área.

por que, pra que

site sesc

megas x nanos II

decameronNesse tempo de mudanças climáticas e politicos alheios às necessidades dos povos, ocorreu-me transcrever um trecho do livro No Mesmo Barco – Ensaio sobre Hiperpolítica, do filósofo alemão Peter Sloterdijk, como homenagem aos pequenos grupos humanos que aqui e ali teimam em desejar e fazer do mundo um lugar melhor para viver.

Giovanni Boccaccio é o poeta que tornou inesquecível para os europeus o teorema da sobrevivência na pequena comunidade em meio ao desastre do grande. O Decamerão hoje ainda pode ser lido como peça didática sobre a relação entre alegria regenerativa e pequena política.

Depois que a peste irrompeu em Florença, em pouco tempo viu-se decaírem todos os laços burgueses e humanos entre os indivíduos, como se uma peste psíquica tivesse sobreposto a física. A estada na cidade agonizante torna-se um pesadelo para os sobreviventes. Como os florentinos já não sabem se devem temer mais a contaminação ou os saques ou a fome, eles caem numa desorientação equivalente a uma paralisia.

Na cidade que perdeu sua obra conjunta, pois não protege mais o bem-estar dos cidadãos, de repente tudo está perdido e tudo é permitido. Sujeitos de medo atomizados acocoram-se em suas casas ou rebentam na rua. Nessa situação, uma jovem mulher toma a iniciativa e convence seis de suas amigas e três rapazes a retirar-se juntos a uma quinta próxima aos portões da cidade, para se conservarem e resistirem até o fim da praga com serenidade e humanidade. É assim que se chega ao memorável arranjo que prepara o contexto do livro de Boccaccio.

Nessa obra básica do humanismo a frivolidade aparece a serviço das coisas mais sérias. Sherazade narrou em prol da própria vida; os jovens florentinos que se reuniram ao redor da graciosa Pampinea, narram em prol da possibilidade do pertencer-se de pessoas depois da decadência da forma política.

Eles encarnam a decisiva lição de todas as ciências modernas da humanidade: se as grandes ordens se partem, a arte do pertencer-se só pode recomeçar a partir das pequenas ordens. A regeneração do homem pelo homem pressupõe um espaço no qual um mundo se abre com a convivência.

decameron

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zen noel

zen noel

Neste natal quero ficar em paz.
Incluído fora do consumismo.

cala boca já morreu

Em resposta ao extemporâneo colonizador el Rei de Espanha.

PORQUE NO TE CALAS?

Raul Longo

 

Porque no te calas, Dom?

Nem te envergonhas das civilizações

que exterminastes?

Incas, Maias e Astecas…

Sabedorias acima da alguma

que mal soubeste herdar dos 8 séculos

de pacientes mestres árabes.

 

Nada aprendes!

 

Porque não te calas, Senhor?

Nem te arrependes dos tantos de mim

que espoliastes da Patagônia à Califórnia?

 

Pirata, mercenário, usurpador:

acaso não te acordas

das tantas que estupraste?

Da gente que seviciaste?

 

Pelos povos que usurpaste

em América,

Ásia, África,

porque não te calas?

 

A quem te arrogas,

se sequer és dotado da galantaria

que a Quixote serviu?

 

Que ficção é essa

que crias para ti,

reizete de merda?

 

De Guernica

és o lado que o Mestre

sequer retratou,

pois se nunca estiveste

no desespero de tua

própria gente,

por quem te crês?

 

Cala-te e

devolve minha prata,

reponha meu ouro

bucaneiro arrogante!

 

Cala-te e

reconheça tua insignificância

que de majestosa só tem

a expressão da falência

de uma instituição anacrônica,

tardia em minha história.

 

A quantos ainda crês

como teus súditos?

Aqui nada és além de mero decorativo,

ridícula memória da vergonha

de um império há muito falido.

 

Porque não te calas, hombre?


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